Praça da República & Jardim do Campo das Princesas

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A Praça da República e o Jardim do Campo das Princesas situam-se no sítio pioneiramente ocupado pelo Parque do Palácio de Friburgo, construído entre 1639 e 1642 por Maurício de Nassau, no extremo norte do que se chamou de Ilha de Antônio Vaz, hoje Bairro de Santo Antônio no centro do Recife. Inspirado nos jardins renascentistas, o Parque teve, no entanto, o pioneirismo de ter sido composto por fruteiras e plantas medicinais, nativas e exóticas, distribuídas em canteiros e alamedas de coqueiros que valorizavam o Palácio de Friburgo. Esta foi a primeira área verde planejada do Recife. Após a expulsão dos holandeses em 1654, a área foi abandonada tornando-se um grande descampado até o século XVIII, quando foi edificado o Erário Régio, substituído posteriormente pelo Palácio da Presidência da Província, hoje sede do governo estadual. Em seguida, foram construídos o Teatro de Santa Isabel, a biblioteca Pública Provincial, o Liceu de Artes e Ofícios e o Tesouro Estadual, consolidando a vocação deste espaço como centro político-cultural do Recife. Em 1937 Burle Marx mantém as esculturas clássicas e as palmeiras imperiais e introduz coqueiros, cajueiros e mangabeiras. Seu projeto incluiu também modificações no traçado e introdução de uma fonte luminosa monumental no centro objetivando valorizar a paisagem das águas e dos elementos naturais, ao mesmo tempo em que articula os três palácios: o do Governo, o das Artes (Teatro de Santa Isabel) e o da Justiça (jardim tombado, através do Decreto nº 29.537/2015, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A Praça da República e o Jardim do Campo das Princesas compõem uma unidade de paisagem na ponta de uma ilha, caracterizada, pela relação com as águas do estuário dos rios Capibaribe e Beberibe. Esta paisagem de águas induziu a concepção deste conjunto paisagístico, com a definição de dois grandes eixos – vertical e horizontal – que estruturam e conectam os dois espaços ajardinados. No ponto de cruzamento destes dois eixos que conduzem às águas estuarinas, Burle Marx define um generoso espaço aberto, central, que também privilegia a água, agora controlada em um espelho d’água com fonte luminosa, reforçando a ideia de simetria, de conectividade e de monumentalidade. Para este espaço central convergem caminhos em forma de cruz, marcados por palmeiras imperiais, além de dois eixos diagonais que possibilitam uma conexão com o entorno.

Flora

A composição florística proposta por Burle Marx teve a intenção de dar força ao traçado renascentista que valoriza os três edifícios e as águas. Nesta marcação, a verticalidade e monumentalidade das palmeiras imperiais indicam os eixos estruturadores da Praça. No conjunto da composição, destacam-se ainda as palmeiras-catolé. Os canteiros simétricos foram ressaltados pela vegetação arbórea nativa como os cajueiros, as mangabeiras e o pau-brasil além de espécies exóticas como o tamarindo.

Estrutura/ Monumentos

Espelho d’água circular com fonte luminosa no centro da Praça da República; Postes de Iluminação de ferro; Bancos antigos decorados; Bancos curvos de concreto sem encosto; Bancos de madeira tipo veneziano; Gradil de ferro; Calçadas com desenho em pedra portuguesa; Passeios em terra batida ladeados por canteiros gramados; Passeio circular em pedra portuguesa no entorno da fonte central da Praça da República.

Obras de Arte da Praça da República: a. Esculturas de bronze: correspondem às divindades clássicas da mitologia greco-romana – Juno, Diana, Ceres, Flora, Diana de Gabies e Têmis, Vesta, Níobe e Minerva. b. Estátuas: Francisco do Rego Barros, o Conde da Boa Vista; Luis Lèger Vauthier; Augusto dos Anjos; e do Conde Maurício de Nassau, doada pelo Governo Holandês. c. Esculturas-poste: próximas ao Teatro de Santa Isabel.

Localização

Localização: Avenida Rio Branco, Bairro de Santo Antônio, no centro da cidade do Recife.

Área Praça da República: 23.134,40 m2

Área Jardim do Campo das Princesas: 18.344,50 m²

Intervenções: Emile Beringer (projeto original, 1875) e Roberto Burle Marx (projeto de reforma, 1936/37). Projeto de restauro do Jardim do Campo das Princesas das arquitetas Ana Rita Sá Carneiro, Aline Figueirôa Silva (Laboratório da Paisagem da UFPE) e Maria Inês de Oliveira Mendonça (Prefeitura do Recife) e do botânico Joelmir Marques da Silva, do Laboratório da Paisagem da UFPE, ainda não implantado (2011).

Entorno

A Praça da República e o Jardim do Campo das Princesas no Bairro de Santo Antônio comprova a relação de seu traçado e composição com a malha urbana do centro da cidade, bem como a privilegiada localização destes jardins no estuário dos rios Capibaribe e Beberibe. No tecido urbano a Praça da República é conectada pelas pontes Princesa Isabel, a leste e Buarque de Macedo, a oeste e ao norte, o Jardim do Campo das Princesas se abre para as águas em direção à Olinda, como balcão que se debruça sobre o espelho d’água definido pelo IPHAN (2014) como “Praça d’água”.

A década de 1930 assistiu à inauguração do Palácio da Justiça e reforma da praça pelo paisagista Burle Marx. A última reforma da Praça da República ocorreu em 1999, introduzindo-se pequenas mudanças no projeto de Burle Marx, sendo mantidos os eixos com palmeiras imperiais e os caminhos diagonais que levam aos importantes edifícios e vias ali presentes: os palácios do Governo e da Justiça, o Teatro de Santa Isabel, o Liceu de Artes e Ofícios e a Secretaria da Fazenda – um dos marcos da arquitetura moderna de Pernambuco.

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